Durante
os primeiros anos de vida as crianças vomitam com muita freqüência.
Ficam repentinamente pálidas, queixam-se e, em questão de segundos,
desencadeia-se a tormenta.
A criança fica abalada e
prostrada, e nós ficamos - como não podia deixar de ser - muito
preocupados com o que está a acontecer. A causa é quase sempre um
problema banal (gastroenterite, cólicas...), se bem que os vômitos (é
bom sabê-lo) também possam ser um aviso de doenças importantes. O
estado geral da criança e o resto dos sintomas dar-nos-ão algumas
pistas sobre o que deveremos fazer e (não menos importante) daquilo
que deveremos evitar.
Vômitos com diarréia e
febre
O que poderá ser:
São os sintomas típicos de gastroenterite, uma inflamação do
aparelho digestivo. Durante os meses de Inverno esta doença costuma
ser produzida por vírus (rotavírus quase sempre), enquanto que no
Verão surge devido a ter ingerido um alimento contaminado por
bactérias (Salmonella).
O que fazer:
Se tiver menos de seis meses, transportar a criança a um centro de
urgências. Quando a criança já é crescida e não tiver sintomas muito
alarmantes, então é preferível levá-la ao seu médico habitual. Além
disso, deveremos oferecer-lhe soro oral hiposódico (adquire-se nas
farmácias sem receita médica) desde o primeiro momento. Dá-se-lhe uma
colherinha em cada cinco minutos e vai-se aumentando a quantidade à
medida que a criança o vai assimilando.
O líquido evitará que a criança
chegue a desidratar-se e ajudá-la a sentir-se melhor. Quatro ou cinco
horas depois de ter vomitado pela última vez, oferecer-lhe-emos alguma
coisa para comer (se a criança toma o peito, não deve interromper-se a
alimentação nem sequer durante o período de vômitos).
O que poderá comer?
Alguns pediatras aconselham dar-lhe de tudo (desde verduras
até legumes), exceto alimentos muito gordos e guloseimas. Outros,
acham que devemos mantê-los com uma dieta suave (arroz branco, peixe
cozido, maçã ralada...) durante dois dias. O médico indicar-nos-á o
que o nosso filho deve comer. No caso da criança não assimilar o soro,
nem sequer às colherinhas, devemos transportá-la a um serviço de
urgências para que não fique desidratada. Segundo explica a nossa
pediatra, os principais sintomas de desidratação são «língua pastosa,
mucosa da boca seca, abatimento e falta de brilho nos olhos».
Com dor abdominal
O que poderá ser:
Desde uma cólica causada pela ingestão de guloseimas até uma
apendicite. A inflamação do apêndice costuma mostrar sintomas
inconfundíveis: dor abdominal constante (ao princípio em volta do
umbigo e depois no lado direito do abdômen), febre, vômitos biliosos e
falta de apetite.
O que fazer:
«Os pais devem consultar o médico sempre que uma dor aguda não ceda
durante o período de uma hora», lembra-nos a nossa pediatra. E, acima
de tudo, «nunca devem dar um analgésico à criança, porque o produto
farmacêutico ocultará os sintomas durante algum tempo e impedirá que a
infecção seja diagnosticada o mais rápido possível». A criança deve
ser operada o mais depressa possível. A intervenção torna-se simples
se a apendicite não chegou a complicar-se com uma peritonite, e a
criança estará em condições de regressar a casa dois ou três dias
depois.
Recorrentes com dor de
barriga
O que poderá ser:
Estes sintomas costumam ser causados por um problema
psicológico.
O que fazer: A
primeira medida consiste em consultar o pediatra, o qual se
certificará de que, efetivamente, não obedecem a uma causa orgânica. O
médico seguidamente tratará de averiguar o que está a afligir a
criança. Geralmente, não é nada fácil, e às vezes a própria criança
pode não conseguir exprimir o que lhe está a acontecer. Também é muito
útil levar um registro pormenorizado dos vômitos: tomar nota dos dias
em que acontecem (durante a semana ou aos Sábados e Domingos), no
momento exato (se for de manhã ou no regresso da escola) e o mês
(assim poderemos comprovar se é no período escolar ou em férias),
juntamente com os acontecimentos que a criança está a viver (um exame,
o nascimento de um irmão, etc.).
Também é bom escutá-la e tentar
entender as suas preocupações sem tentar avaliá-las. Embora aos pais
pareçam ridículas, têm enorme importância para ela. Dizer-lhe que não
têm importância ou que deve mostrar-se forte não fará mais do que
aumentar a sua angústia. Por outro lado, se tentarmos compreendê-la e
apoiá-la, ficará um pouco mais descontraída e o mais provável é que se
resolvam os seus problemas digestivos.
Vómitos e dermatites
O que poderá ser:
A alergia a um alimento (leite adaptado, peixe, ovos...)
produz com grande freqüência vômitos e lesões na pele, (eczema,
vermelhidão dos lábios e da boca...). A alergia às proteínas do leite
–uma das mais comuns – costuma causar diarréia ou prisão de ventre,
cólicas, falta de peso, choro e recusa do biberão ou do peito durante
a toma (alguns bebês são tão sensíveis que até desenvolvem alergia ao
leite que a sua mãe ingeriu).
O que fazer:
Consultar o pediatra habitual que é quem melhor conhece a criança. O
especialista aconselhará uma série de medidas eficazes, entre elas
eliminar os lacticínios da dieta da mãe (se o bebê toma o peito e é
alérgico ao leite de vaca) e dar-lhe um leite especial se toma
biberão. A primeira medida consiste em evitar o contacto com a
substância que desencadeia a alergia.
Com dor de cabeça
O que poderá ser:
Os vômitos (fáceis e repentinos) que se produzem juntamente
com dor de cabeça intensa e rigidez da nuca (se a criança tem menos de
um ano, apresenta um ar de sofrimento e febre), são os sintomas
típicos da meningite, uma doença que pode ser muito grave.
O que fazer: É
preciso dirigir-se a um serviço de urgências imediatamente porque,
quanto mais depressa se iniciar o tratamento, melhor se curará a
criança e diminui o risco de que a doença deixe seqüelas.
Violentos depois da
toma
O que poderá ser:
Um aperto repentino do músculo que une o estômago ao
intestino (chamado estenose do piloro). A criança faz as suas tomas
normalmente, mas a comida não pode passar do estômago. Vai-se
acumulando aí, e quando já não pode conter mais, sai violentamente
pela boca. «Este problema costuma produzir-se na terceira semana de
vida», explica a nossa pediatra. «Não causa febre nem falta de
apetite. Pelo contrário, a criança está muito atenta e com vontade de
comer»...
O que fazer:
Levar o bebê às urgências. Se se confirma que tem estenose do piloro,
terá de ser operado imediatamente para corrigi-la. A intervenção é
muito simples, e se o bebê não chegou a ficar desidratado,
recuperar-se-á em dois ou três dias.
Vômitos com sangue
O que poderá ser:
Quando a criança fez muito esforço para vomitar, costumam
romper-se alguns vasos do estômago e desencadeia-se uma pequena
hemorragia. Outra causa relativamente comum do aparecimento de sangue
nos vômitos é o consumo de um medicamento agressivo para o aparelho
digestivo, tipo Aspirina ou ibuprofeno.
O que fazer:
Devemos ir às urgências, embora estejamos plenamente convencidos de
que a hemorragia foi desencadeada por um produto farmacêutico que a
criança tomou. O mais prudente é que um médico procure a origem desse
sangue e esclareça as nossas dúvidas.
Fonte: Revista Bebê d’Hoje nº
47