Onde? Quando? Por quê?
Escolhido um bom profissional, ainda há outras coisas que uma grávida
precisa fazer para que sua gestação ande de acordo com suas expectativas. O
mais importante de tudo é focar, tentar deixar claro o que você espera para
poder descobrir o que você quer e, aí sim, ficar tranqüila. Por exemplo: que
tipo de acompanhamento médico deixará você segura? Que hospital é o mais
apropriado e mesmo o mais agradável para ter seu bebê? É possível ficar com
seu filho o tempo todo no quarto assim que ele nascer? Seu marido poderá
estar junto? O tempo todo? Você precisa se fazer essas perguntar e procurar
ter as respostas.
"Quanto mais informações e conhecimentos você tiver, menos será pega de
surpresa. Muitas das normas inventadas pelas instituições servem para
facilitar a vida dos profissionais, não para tornar sua gravidez ou o parto
eventos agradáveis", explica Adriana Tanese Nogueira, psicoterapeuta, autora
do livro Mulheres Contam o Parto (ed. Itália Nova), mãe de Beatriz, que fez
uma reviravolta em sua vida depois que conseguiu dar à luz em casa. "Foi uma
experiência tão boa, tão forte que, quando me mudei para São Paulo, montei o
site Amigas do Parto, o www.amigasdoparto. org.br, que visava ajudar as
mulheres a ter uma boa gestação e um parto agradável. Deu tão certo que o
site virou uma ONG, e hoje ajudamos mães e profissionais da área a melhorar
a qualidade da gravidez e do parto no Brasil", conta ela.
MITOS E VERDADES DA GRAVIDEZ
Você escuta tanta coisa que fica sem saber no que acreditar. Guilherme
Loureiro Fernandez, chefe do Setor de Medicina Fetal e do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Neomater, diz o que é conversa e o
que deve ser levado a sério.
Quando o bebê é grande, precisa nascer de cesárea
Mito. É claro que o peso do bebê às vezes influi na escolha adequada da via
de parto, porém isso não é uma regra. É necessário antes fazer uma avaliação
adequada da pelve materna (bacia) e também das condições psicológicas da
gestante.
Depois de uma cesárea, não se pode mais fazer parto
normal
Mito. Após uma cesárea é recomendado, caso o parto transcorra por via
vaginal, que se faça uso do fórceps, que em mãos experientes é uma
importante ferramenta de auxílio. Porém, é verdade que a maioria dos
obstetras prefere realizar cesárea se a paciente já passou por uma
anteriormente.
Você precisa se livrar de seu gato se estiver
grávida
Mito. Os gatos de origem doméstica, que não circulam pelas ruas, têm uma
pequena chance de transmitir a toxoplasmose. Se seu gato for "vagabundo", é
melhor pesar o risco-benefício.
Não pode tomar nada diet durante a gravidez
Meio mito, meio verdade. Não é bem assim, tudo depende da qualidade do
adoçante utilizado. Informe-se com seu obstetra.
Barriga pontuda é menino, e espalhada é menina
Mito. Não existe qualquer estudo que comprove tal afirmação, porém é algo
muito antigo que diverte as grávidas nas conversas com amigas e familiares.
Carnes cruas, ovos e peixes não devem ser consumidos
durante a gravidez
Meio mito, meio verdade. Depende do estado imunológico da paciente ante
determinadas infecções, como a toxoplasmose, que é transmitida por carnes
cruas ou malpassadas e de origem não muito bem determinadas.
É preciso passar bucha nos mamilos para não
racharem
Verdade. Mas isso é muito antigo e causa dor. Hoje, há produtos à venda em
farmácias que protegem os seios de possíveis rachaduras.
Pele de grávida mancha se ficar exposta ao sol
Verdade. Principalmente para quem tem pele clara. Depois da gestação pode
ser bem difícil remover essas manchas, por isso é importante o uso de
protetor solar.
Se existir um risco preto na barriga, vai ter um
bebê bem moreno
Mito. Toda gestante tem um risco preto na barriga desde a púbis até quase o
estômago, que se chama Linha Nigra. Quanto mais morena for, mais escura fica
essa linha, pois ela decorre do depósito de melanina nessa região. Por isso,
é bom evitar tomar sol na barriga durante a gravidez, porque isso
dificultará o clareamento dessa linha depois do parto.
Seu cabelo voltará ao normal
Verdade. O efeito da gestação nos cabelos é imprevisível. Algumas mulheres
que têm cabelo liso ficam com eles mais ondulados. E vice-versa. E não
adianta muito tentar tratá-los nessa fase, melhor aceitar a mudança. Depois
do parto, você vai ter uma grande queda dos fios de cabelo, devido à baixa
de hormônios. Mas, dentro de um ano, tudo deve voltar ao normal.
Cabeça feita
Colher informações, ser prática, trocar de médico, escolher o tipo de parto,
preparar o quarto, o enxoval podem parecer tarefas fáceis - mas não são,
principalmente para quem está grávida. A razão disso é que esse é um período
muito delicado na vida da mulher, em que ela se defronta com os próprios
conflitos infantis, conscientes e inconscientes. "Ela vive um estado
fusional com o embrião e, com isso, uma remota e constante lembrança do
próprio início de sua vida. É uma possibilidade de, vivenciando novamente
essa fase, poder reparar o passado e compreender as necessidades do
recém-nascido. Por isso, a gestante fica mais sensível a questões
existenciais. A vinda do bebê a modifica muito, ela sai do papel de filha
para entrar no lugar de mãe, e isso provoca um abalo em sua identidade",
explica Ângela Clara Correa, psicóloga e diretora técnica da UNIRE (empresa
de treinamento profissional que capacita babás e recreadores infantis, por
exemplo), e mãe de Vinícius. Nessa reviravolta emocional, o pré-natal fará
com que a grávida fique com os pés no chão, aja racionalmente, não se perca
em fantasias. Há os exames que ela precisa fazer, as roupinhas que tem de
providenciar, as vitaminas que deve tomar. Tudo isso ajuda a gestante a
manter a "casa em ordem".
Além do obstetra de total confiança e de todas as informações a que a
grávida tem acesso hoje, o apoio da família e, principalmente, do marido são
o maior suporte para que a gestação comece e termine sem problemas e para
que a futura mãe não se sinta sozinha e perdida diante de tanta mudança.
"Meu casamento terminou no final da gravidez. Foi uma surpresa e uma coisa
horrível, fiquei me sentindo sozinha, desprotegida, e tive muita dificuldade
para criar o vínculo com meu bebê", conta Lúcia Almeida, mãe de Rodrigo, de
2 anos. Realmente, não ter o pai da criança, ou pelo menos a família
próxima, pode complicar muito as coisas. "Como a gestante revive sua
infância, a família e o parceiro são fundamentais ao equilíbrio da relação
mãe-bebê. Se a gravidez mobilizar muitos aspectos inconscientes, trazendo
angústia e depressão, é recomendável que a grávida procure um bom analista",
completa Ângela.
O mais importante na gestação é não ficar se comparando com essa ou aquela
amiga, não se cobrar tanto por ter engordado um pouco a mais, respeitar seu
momento e contexto de vida e saber que, mesmo que você tenha cinco filhos,
cada gravidez vai ser diferente. Numa você pode sentir enjôo, na outra pode
não sentir nada. Numa consegue fazer parto normal, noutra precisa fazer
cesárea. E tudo bem, a vida é assim. "Cada filho é gerado numa circunstância
única. Um contexto que envolve desejo, história de vida da mulher, do casal,
do trabalho, do financeiro, do 'por que e pra que' desse filho, das
projeções lançadas sobre a criança. Isso tudo vai fornecer um 'lugar' ao
filho e determinar essa relação", finaliza Ângela.
CONSULTORIA
Adriana Tanese Nogueira, psicoterapeuta. www.amigasdoparto.org.br
Ângela Clara Correa, psicóloga. Tel. (11) 5575-6300.
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, ginecologista e obstetra. Tel. (11)
3885-4333.
Dr. Guilherme Loureiro Fernandez, ginecologista e obstetra. Tel. (11)
4229-4321.
ATENÇÃO: as
informações disponibilizadas neste site e fornecidas através da
newsletter do Universo do Bebê têm propósitos educacionais e
orientadores, e não representam um substituto para aconselhamento
e/ou tratamento médico especializado.