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Mamãe é virtual!

De segunda a sexta-feira, Claudia Jeunon, diretora da Fundação CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), só fala com seus filhos pela Internet. Ela tem 36 anos e os meninos, Luis Paulo, 9 anos, e Mateus, 10. É uma típica mãe virtual, que explica aos filhos os deveres de casa por e-mails e faz recomendações do tipo "escovem os dentes", "arrumem o quarto"... E ainda atende rapidamente às mensagens eletrônicas dos filhos solicitando mais biscoitos, mais chocolates, mais refrigerantes. Nesses casos, Claudia acessa o site de um supermercado e, em alguns minutos, as guloseimas chegam em casa. Problemas na escola? Claudia acessa o site do colégio e conversa com as professoras. A mãe contemporânea é assim: tão múltipla que sua versão on-line se soma à presença real no fim de semana.

- Como diretora da Fundação CSN, eu vivo no Rio, em Volta Redonda, em São Paulo e nas outras cidades envolvidas com a CSN. A convivência diária com as crianças só é possível através da internet. Eu uso muito o telefone, mas a internet é muito mais eficiente para a rotina das crianças. Uma explicação sobre um dever de casa fica muito mais clara por e-mail, por exemplo, do que por telefone. Constato isso na prática. A internet só veio contribuir para solucionar nossos problemas de convivência limitada pelos compromissos do trabalho. Eles sabem que só estarei disponível realmente no fim de semana - diz Claudia.


No fim de semana, a executiva se transforma em mãe de família de tempo integral. Faz questão de dispensar a empregada para ensinar aos filhos que mãe não é apenas aquela mulher que os leva para passear no sábado, mas também a que arruma a casa e vai para a cozinha preparar o café da manhã, o lanche e talvez até um almoço:

- Quero que eles vivam tudo isso comigo, já que estou tão ausente durante a semana. É por isso que não quero empregada em casa nos fins de semana. Para não virar uma figura que vive no trabalho e, no sábado, os leva ao cinema. Quero que eles vejam que, quando posso, eu me dedico integralmente a cuidar deles e de nossa casa.

Mas as facilidades da internet podem se tornar perigosas e até nocivas, segundo a psicopedagoga Maria Luiza Werneck, de 31 anos, mãe de João Pedro, de 4 anos, e José Antonio, de 2. Ela costuma enviar e-mails para o Jardim-Escola Vilhena de Morais, no Leblon, onde os meninos estudam, apenas para transmitir recados, fazendo da internet uma caderneta escolar mais moderna. Mas considera fundamental que a comunicação com as crianças e com a escola seja feita essencialmente através de contatos pessoais.

- É muito importante dizer isso às mães. Elas precisam conviver pessoalmente com os filhos e com as pessoas que estão envolvidas com a educação deles. Eu, como psicopedagoga, enfrento sempre essa situação. São mães que tentam discutir o caso dos filhos comigo por e-mail. Parece óbvio, mas não é. Eu tenho que ensinar: olha, não podemos falar assim, temos que conversar pessoalmente. Vejo que, com o acúmulo de trabalho e com a multiplicidade de tarefas, as mulheres se distanciam de seus filhos e isso é muito doloroso para todos - diz.

A psicóloga Regina Marins, mãe de três meninos - Pedro, de 16, Lucas, de 10, e João de 3 - diz que a internet é apenas um recurso para a mulher que, como ela, trabalha muito. Mas o contato essencial com os filhos existe à noite, quando chega em casa após o dia cansativo de trabalho, numa rede de lojas de decoração de interiores.

- Não uso a internet para conversar com eles. Mas para dar um aviso à escola ou para receber um comunicado é ótimo. O contato com eles é sempre pessoal - diz Regina.

Já a empresária Solange Souza, de 45 anos, diz que a internet serve como um confortável instrumento de controle da filha, de 16 anos, pouco afeita aos estudos. Antes do desgaste devido a notas baixas, ela verifica o desempenho da menina no site da escola:

- Já não fico mais em cima dela para que estude. Mas se aparece na tela uma nota baixa, a briga recomeça...


Fonte: O Globo
Matéria de Marcia Cezimbra

 

 

 

 

 

 

 

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